segunda-feira, 25 de maio de 2009

O que está acontecendo com a pontualidade?

Que o brasileiro nunca foi pontual, isso é público e notório, é quase uma questão cultural, mas o que vem acontecendo em Brasilia quando o assunto é diversão é de tirar qualquer um da "diversão" que a ocasião deveria proporcionar. Acontece que ultimamente virou "moda" (se é que podemos chamar assim a falta de respeito pura e simples!) anunciarem uma atração musical para determinada hora e dita atração simplesmente "subir" ao palco duas até três horas depois do previsto, enquanto isso, tome esperar, tome andar, tome ficar em pé, tome beber e tome brigar!Há duas semanas atrás ocorreu um evento chamado "Festival do Nordeste", uma espécie de abertura da época de festas juninas na cidade. Resolvi me aventurar a ir ao evento que ocorreu no estacionamento de um estádio - Mané Garrincha - ao ar livre e cujas atrações prometiam: Zé Ramalho e Aviões do Forró. O primeiro tocaria por volta de 22:00 hs e a segunda atração às 00:00 hs. Logicamente que não acreditei na pontualidade, então calculei uma hora de atraso. Para minha surpresa (desagradável, diga-se de passagem, em vista da chuva fininha que teimava em cair na minha testa, na ponta do nariz e no cabelo, sim no cabelo amigas, imaginem como ficou!) o Zé Ramalho começou a tocar por volta de 00:30 hs e o Aviões do Forró, que eu desisiti de assisitir ao show devido o avançado da hora e da minha indignação, começou a cantar por volta de 02: 15 hs! A essa altura só com muita pinga na cabeça (eu disse pinga e não pingos, aqueles da chuva) para manter o bom humor, mas como não estou bebendo, não tinha mais humor! Voltei para casa frustrada, resmungando e com o cabelo parecendo o da Shakira naquele clip "Hipys don´t Lie" e isso não é um elogio, confiram! Me lembrei que no show da dupla sensação do sertanjo "Victor e Léo" aconteceu a mesma coisa, quando foram se apresentar na pecuária, com exceção dos pingos da chuva. Eles tiveram o displante de subir ao palco às 01:20 hs da manhã e nem tinha uma bandinha antes para divertir a "galera", o jeito era comer, comer e comer, porque como já disse, não estou bebendo. Resultado, saímos na metade do show, com o pé literalmente queimando de tanto ficar em pé! Pois é, mas não pensem que é só, descolada dessas duas experiências resolvi chegar ao show da banda O Rappa, que aconteceu nesse sábado, às 23:30 hs, já que no convite dizia 22:00 hs. Bom, chegamos lá, estava sendo anunciada a segunda banda da noite, uma tal de "Pelicanos da Lua", que de tão ruim tive vontade de mandar para a Lua, ela e os pelicanos, para só então, às 01:30 entrar o Falcão, cantar duas musicas, parar o show, reclamar do som e só voltar a cantar às 02:30 hs. Eu queria me matar, matar o Falcão, matar o SINDJUS e o cara do som!!! Tá decidido: show agora só se for acústico no Centro de Convenções Ulisses Guimarães ou no Teatro Nacional!

terça-feira, 18 de novembro de 2008

Fim de semana no mato!

Gente chic! fala fim de semana no campo, eu digo que é no mato mesmo, mas que fim de semana! nada como o silêncio dos sapos e dos grilos para a gente dormir, dormir, dormir e comer, comer comer e depois não entrar mais naquela calça, na saia e no biquini (que estão cada vez menores) no verão que se aproxima! Esse fim de semana revigorei as minhas energias - minhas e dos mosquitos "borrachudos" que alimentei com meu próprio sangue, literalmente - nada de discussões inúteis, horas inuteis em frente da televisão ou passeios inuteis que te cansam mais do que descansam. Realmente foram dois dias bem legais, desses em que se fica sentado na beira do riacho, com o sol de fim de tarde, aquela brisa agradável, o céu meio rosa meio azul e um verde do "mato" incomparável, é, parecia mesmo cenario para locação de novela, tudo harmonicamente respirando o mesmo ar. Desse fim de semana não tenho o que reclamar, descanso, diversão, conversas, namoro, tudo, enfim, como sempre deveria ser em nossa vida: proporcionando paz e alegria para enfrentarmos uma semana inteira de trabalho - no meu caso, muito trabalho, meu chefe tá viajando - e estudo - que gostaria de ter começado desde ontem. Boa semana para vocês!

abçs e bjs para todos!

Eleições nos EUA

Gente, dessa vez eu não sou a autora do texto, mas recebi esse artigo do meu irmão, uma pessoa com muita autoridade para escrever sobre esse assunto e resolvi então compartilhá-lo com vocês. Sei que é um texto longo e que o tema política pode parecer enfadonho para a maioria, mas não podemos ignorar o que acontece a nossa volta.
bjs e abçs para todos!
"Obama venceu, Whashington está salva e a civilização branca saúda o redentor.

Contraditório, espetacular, surpreendente enfim ao acompanharmos os noticiosos da grande imprensa, na sua quase totalidade, percebemos como a dissimulação não consegue vencer, aliás, convencer a ninguém sobre a marca registrada do moderníssimo século da tecnologia: o não diálogo, ou melhor, a intolerância maquiada na fórmula de multimídias as mais versáteis possíveis.

Sem entrar no terreno da sustentabilidade logística econômica e política do candidato Democrata, muito menos na intrigante face do partido azul estadunidense, o fato é que o discurso da igualdade de oportunidades, somado ao da América para todos e chegando ao de uma nova era, arrastou a sua simetria no que se espalha mundo a fora.

Existe um enorme abismo, gigantesco hiato e por que não dizer imenso processo de apartheid sócio-cultural-econômico e político o qual se movimenta em hipérbole ascendente. E o mais grave desse sentimento consentido localiza-se em grande parte nas comunidades subjugadas e exploradas nos chamados países industrializados.

A vitória expressiva de Obama traz um complexo cenário no qual a esfinge provavelmente devorará seus admiradores. Aí não se trata de juízo de valores, mas tão somente uma leitura mais ampla das condições históricas que o mundo, seus atores e enredos se estabeleceram no início de século das luzes de tempo real.

A esperança sinalizada na superação do não dialogo, da supremacia racial, do fetichismo civilizatório enfim da agenda da ordem, encontra-se envaida na sua própria expressão. Se por um turno, já se afirma o fim do neoliberalismo, ou das ditaduras dos mercados, de outra não foi sublimado os fundamentos das diferenças ou dos pré-conceitos que motivaram, sustentaram e contribuíram para a coerção e coesão do sistema capitalista globalizado.

Daí, mesmo que queira o novo presidente dos EUA não mudará além do que for a ele consentido. Esse processo se assemelha, em muito, com as relações estabelecidas com a vitória de Lula no Brasil. Significação à parte existe um mito, um signo ou como se diz por aí um o quê de esperança, de sonho, de vontade de mudanças pronunciadas nas urnas do tio Sam.

O professor Jacob Gorender em seu monumental trabalho Escravismo Colonial: modo de produção capitalista tem toda razão em relacionar o particularismo na dominação racial e seus meandros na sustentação do Estado burguês. Muito longe estamos da exaustão dessa análise, pelo contrário ganhou mais relevo nas atuais condições de vida, ou de morte, a qual a imensa população pobre está inserida mundo afora.

Dados recentes da FAO, órgão da ONU, divulgados nesse mês dão conta que mais de um bilhão de seres humanos passam fome diariamente. E que desses 80% estão na África e Ásia. A ressonância dessa dramática situação nos EUA afeiçoa-se etnicamente e culturalmente.

O século da intolerância foi devidamente precedido pelo século da conquista, ou como Houbsbaw afirma o século dos extremos (também apelidou de breve século). A superpotência foi e continuará simbolizando a conveniência da anexação, incorporação e sublimação de obstáculos e povos ao hegemonismo ianque. Esse totem se afirma para além da supremacia bélica e industrial, ele o é fundamentalmente ideológico e cultural.

Em nada diferiu sob o aspecto pragmático o chamado socialismo real, onde uma vasta pesquisa já desenvolvida e por desenvolver trouxe e trará ensinamentos importantes sobre suas limitações e erros, bem como da contribuição de acertos. Mas, esse é um assunto para depois, visto que no momento a atenção do mundo voltasse para o que fará Obama diante da crise de acumulação que os EUA atravessam e os desdobramentos ao nível planetário.

O modo de vida, a maneira de se estabelecer enfim o conceito de civilidade onipresente e onisciente a que tudo pode, ou imagina poder, e em que nada cede foi o ringtone da chamada era global. Retórica, alguns diriam. Todavia, a concepção racista presente nesse movimento se articula com as fundamentações de sua necessidade de existência. O racismo talvez seja a forma mais visível desse insustentável habitat que ordem e seu Estado insistem em levar a efeito.

A camuflagem do modelito impregnou a todos e a todas as nações e povos no transcurso do século passado. Afinal, quem não deseja o conforto, o bem estar e as facilidades propagandeadas via telonas, séries de TVs, vídeos e etc. Atire o primeiro iphone ou GPS quem for capaz de não ter sido seduzido!

Havia um custo, mais do que isto um mecanismo sem precedente na história da humanidade que agia, e age, de forma antropofágica. Não só as muralhas da China se rederam aos avanços protagonizados pela revolução industrial dos séculos XIX para XX, mas as premissas da orquestração de o avanço precisavam, e precisa do sacrifício de alguns.

Segundo dados do FMI, conforme boletim de 28/10/2008 publicado na imprensa brasileira, o PIB dos países industrializados representam cerca de 90% do PIB mundial. Só os EUA lideram na casa de 43,8% dessa fatia. Digamos que para cada cem dólares circulando, e como circula na economia da terra 90 dólares saem e retornam constantemente ao g-7. As estimativas do FED indicam uma volatilização de algo perto de 27,5 trilhões de dólares na economia norte-americana de maio de 2007 para outubro de 2008.

Para termos uma idéia, calcula-se o PIB do Brasíl para 2008 na casa de 3,2 trilhões de reais, difícil dizer hoje em dólares diante das imensas flutuações, mas se considerarmos um referencial de R$2,10 na cotação, a estimativa fica de 1,5 trilhões de dólares.

A magnitude da transferência de riqueza dos países periféricos para os centrais do capitalismo foi uma das incríveis façanhas alcançadas pelas elites centrais em conjunto com as oligarquias regionais dos diversos países chamados de subdesenvolvidos, em desenvolvimento e por fim de emergentes.

É nisso, em grande parte que repousa a complexidade desse movimento no qual não basta apelarmos para explicações de dominação militar, coercitiva e do porrete. Elas explicam, e como explicam, mas não esgotam esse processo que vai ao encontro do instituinte, do sublimado ou ainda do dominado. A valoração e a adaptação foram marcas do que chamei de século da conquista. Foi fundamental a existência da denominada guerra fria. Sem ela, talvez fosse muito emblemático formatar e nivelar padrões tão dispares culturalmente, historicamente e socialmente.

Da Arábia Saudita, das Filipinas, África do sul, Chile entre tantos outros ao longo do transcurso da década de 50 para 90 do século passado, foi homogenizada uma linguagem civilizatória, onde a regulação do Estado exerceu um papel proeminente.

É evidente que ocorreriam, como ocorreram, resistências a esse script. Assim como elas ecoam até o presente. Entretanto, ouve uma afirmação. Ocorreu nesse massacre um embotamento vocacional da liberdade de expressão. Dela ficaram somente as letras, pois a expressão regional e suas diversidades, suas matizes e interacionismos foram submetidos a cartilha da onisciência e onipresença.

Bem, nem tudo é perfeito, melhor tudo tem suas vontades, efetividades e validações. Bem como, o reverso da medalha, nas suas aplicações teve também que se agregar e incorporar situações bem diversas a idealizada.

O assunto é por demais extenso, e instigante.

Voltando a situação concreta da vitória de Obama, o fato é que existem expectativas que somente o tempo vai revelar suas verdadeiras possibilidades. Os compromissos assumidos são claros e caros ao mesmo tempo. Fazer o dever de casa para a superpotência não é mesma coisa que assumir o comando do Palácio do Planalto.

Esperanças existem. Desejos, mais ainda. Agora, é necessário saber que as notas promissórias não são somente as desta crise em curso. Menos ainda dos Democratas. Há muita coisa em jogo nas casas dinásticas da atualidade. Jimi Carter, no meio da década de 70, provou desse gostinho. Tinha-se um Vietnam, recém curadas as feridas do Camboja, Coréia e os movimentos de libertação africanos estavam na roda. A política intervencionista não cessou, não parou, não recuou e muito menos foi afastada da diplomacia militarizada dos EUA.

A Blackwater, um tipo de exército não uniformizado e não patrocinado pelo governo, possue somente nos EUA algo próximo de 450 mil servidores treinados. No Afeganistão e no Iraque é estimada uma força tarefa de mais 120 mil trabalhadores dela. Um dos principais assessores da campanha dos Democratas é o presidente dessa empresa, cogita-se o nome dele para a pasta cobiçada do Departamento de Estado.

De outra sorte, as interlocuções e a cumplicidade da votação tem carne e osso. Esse movimento pode permitir tensionamentos que favoreçam a amplificar as tímidas mudanças que se planeja fazer. Essa vitória propiciará um momento impar. E, talvez colabore no sentido de educação política de muitos setores que de fato desejam mudança da rota em curso. A questão é se a esfinge devorará, ou se re-fundará em novos pré-conceitos, validando a mesma miséria política, cultural, econômica e social?"

sexta-feira, 24 de outubro de 2008

Quanto Tempo!

Tudo bem, eu sei que tem mais de dois meses que eu não posto nada, mas, gente aconteceram tantas coisas nesse meio tempo que eu simplesmente não tive tempo (rs) de escrever. Mentira! tava sem saco mesmo, a parte do "aconteceram tantas coisas" é verdade, tudo o de sempre, concursos para fazer, amigas para socorrer, relacionamentos acabados, relacionamentos começando, relacionamentos prosseguindo muito bem, obrigada! aniversários para comparecer, trabalho para fazer, tomar conta de dois gatos e uma casa, cuidar do corpo, do intelecto, tese de monografia, namorado (que ocupa quase 90% do tempo, graças à Deus, amo aquele "belunguinha", depois explico), sobrinha para levar no cinema, enfim muitas coisas que sugam a energia de qualquer cristão! Mas estou de volta, com o incentivo da minha amiga Manú (o blog dela é o máximo, está na minha lista de blogs que amei ter encontrado) e com as historias do cotidiano (afinal de contas esse é o nome do meu blog!) tenho muitas coisas para compartilhar. Bom é isso, agora vou almoçar com o "boyfriend" em outro compromisso "imperdível" com o pessoal do trabalho dele!

Bjs e Abraços a todos!

segunda-feira, 25 de agosto de 2008

Canseira

Gente,

estamos no período mais crítico em Brasilia, muita seca, muito calor, nada de chuva e ... muito cansaço. Mas hoje não quero falar desse tipo de cansaço, existe um outro, um cansaço paralisante, que faz a gente se perguntar: "Em que curva da vida eu perdi o prumo?! e a gente de repente constata que repetimos velhas situações, situações que prometomos a nós mesmos nunca mais repetir. São as mesmas pessoas, a mesma falta de disciplina, os mesmos gestos, o mesmo altruismo, a mesma cobrança, a mesma frustração e parece que a vida não anda, ou se anda, é para trás. Por exemplo, é assim todo início de ano, fazemos uma lista com milhões de novas resoluções: fazer mais exercicios, fazer terapia, estudar mais, se cuidar mais, ser mais feliz, emagrecer, desenvolver habilidades e plim! passam os meses e cá estamos nós com os mesmos costumes e, muitas vezes, cometendo os mesmos erros. Cansei de fazer (e pagar) uma terapia que não me fazia sequer consiguir responder o porquê. Descobri que somos assim, apegados à essência das coisas, no caso, a nossa príopria essência, mas que precisamos e lutamos para melhorarmos, só não avisaram que seria mais dificil do que imaginávamos. No meu caso, me pergunto, "Por que parece que a vida daqueles a minha volta "fluem" (é a palavra do momento) e a minha não? " Hoje acordei pensando nisso! Ainda não sei a resposta, sei que continuo procurando e tentando quebrar com esse "modelinho", comecei a aula de patins e acho que vou me matricular no ballet tb, tenho tentado estudar (essa parte é dificil) e procuro não sucumbir ao meu medo de não formar a minha própria familia (esse é mais dificil ainda), mas esse último é papo para uma postagem única, porque o assunto vai render.

Abçs e Bjs

quarta-feira, 30 de julho de 2008

O Efeito Enceradeira!

Acho que todos nós um dia em nossas vidas nos deparamos com o efeito enceradeira, aquele momento atípico em que passamos a vivenciar os acontecimentos como estivéssemos presos a uma situação, rodando no mesmo lugar, sem conseguir caminhar adiante e assim vamos fingindo que vivemos enquanto a enceradeira vai passando! Não é dos melhores sentimentos constatar que estamos no meio de um efeito enceradeira e falo isso não só por experiência própria, mas por presenciar o estrago que essa enceradeira faz nas vidas dos meus amigos mais próximos. Ontem à noite, estava em casa, tranquila, tentando me concentrar para mais uma sessão de estudos voltados para concursos públicos (a nova mania de 10 entre 10 brasileiros), quando o telefone de casa toquou e reconheci a voz de uma amiga me pedindo companhia num momento dificil, obviamente fui ao seu encontro e para minha surpresa, aquela pessoa que sempre foi para mim um simbolo de "pessoa bem resolvida" estava passando por um momento efeito enceradeira. Posso dizer que quando vivenciamos um momento assim nos sentimos sugados, perdidos, desanimados e incompetentes, como deixamos as coisas chegarem nesse ponto! repetimos diversas vezes essa frase e pior, não conseguimos chegar a resposta alguma. A sensação de se debater feito um peixe fora d´agua esperando morrer seria a melhor forma de descrever um momento assim. Acredito que a falta de respostas e a sensação de impotência diante dos acontecimentos tornem ainda piores esse momento. Mas, como em todo fim de poço existe uma cama elásica para sairmos de lá, o melhor a fazermos nesses momentos é buscarmos a serenidade para que a cabeça possa tomar a decisão de romper com esse efeito enceradeira da melhor forma possivel, segundo as necessidades que cada caso exigir, seja na sua profissao, seja na sua vida pessoal. O importante é saber reconhecer esse momento, cercar-se da familia e dos amigos verdadeiros - pessoas que realmente nos amam - e recorrer à sabedoria de Deus (para aqueles que Nele creêm), pois com certeza Ele saberá qual o melhor caminho a percorrer.

Bjs e Abçs

terça-feira, 29 de julho de 2008

A difícil arte de acordar!

Os dias começavam como na letra daquela música de chico buarque, exceto pelo horário, que na maioria das vezes não era às 06:30 hs, ela se concedia uma hora e vinte minutos a mais, de resto, todo dia era tudo sempre igual. Primeiro um olho, depois o outro, e logo ela já podia enxergar uma claridade tímida entrando pelas frestas da persiana rosa e amassada. Era assim nessa época do ano, horário de verão, chuvas de verão e pouco a pouco o sol ia teimando em aparecer, até que ao meio dia ninguém mais suportava o calor.

Ela já sabia que dali alguns minutos a mãe iria abrir abruptamente a porta e acordá-la do jeito sutil que só ela sabia fazer. Para uma figura baixinha e mion ela tinha uma voz e personalidade bem fortes. Isso a irritava profundamente, começar o dia já irritada a irritava mais ainda, mas sabe como é, pessoas mais velhas, o pai já falecera, e ela fazia um esforço quase sobrehumano para entender que se alguém teria que mudar, seria ela, e literalmente, afinal já contava com 30 anos, e as insistentes incurssões daquela figurinha pela sua intimidade já não cabiam mais.

Bom, lá estava ela: “já são quase oito horas, não vai levantar não!”, era uma segunda feira, que jeito maravilhoso de se começar o dia, quiçá a semana. Ela pensava que se fosse um gato, igual aos que ela tem – dedicaremos um capitulo especial aos gatos – estaria grudada no teto de tamanho susto, idêntica ao garfield nos seus desenhos, sim, porque hoje ela dera sorte e acordara antes da mãe, mas o costume era que a mãe a acordasse, daquele jeitinho, lembram?, e ela podia sentir o coração querer saltar-lhe à boca, seria um resto de dia com dor de cabeça e considerado que o dia estava começando, seria um dia inteirinho com dor de cabeça.

Quase se arrastando e direto para o banheiro, tomar banho, lavar o rosto, escovar os dentes, se maquiar, fazer o penteado, não esquecer do perfume, enxágüe bocal, e, entre uma tarefa e outra, ela podia escutar os miados e arranhões insistentes do leon querendo adentrar o banheiro. Ela não entendia para quê, se todas as vezes ele entrava para no segundo seguinte querer sair, talvez fosse para dar bom dia, ou sei lá, para colocar comida, provavelmente esta última, o fato é que, enquanto ele insistia para que ela abrisse a porta, a outra, a diana, se esparramava no meio do caminho, entre a saída do banheiro e seu quarto, como se fosse um tapete persa, a balançar o rabo que de tão peludo lembrava um espanador.

Meia hora dentro do banheiro e já estava pronta, alguns últimos retoques no cabelo, retirar os últimos pêlos que insistiam bravamente em “morar” na sua blusa marrom de babadinhos, estilo romântico, e finalmente, a troca de badulaques e documentos de uma bolsa para outra. Alguns chamariam de uma bolsa para uma mala, mas, “dane-se”, era assim que ela gostava, além de ser a última tendência, no fundo uma mão na roda para tantas inutilidades que as mulheres conseguem carregar e com certeza ao longo do ano, um problema de coluna a mais para freqüentar o consultório de algum ortopedista.

Ah, a parte do café da manhã! Essa não terá mais do que três linhas, era a hora mais corrida que tinha. Na verdade nem se podia dizer que era um café da manhã, justo a refeição mais importante do dia, como todos dizem. Na sua frente nada mais do que um café preto, um pão preto de centeio ou qualquer outro farelo integral, que as vezes ficava preto e duro, devido ao esquecimento na sanduicheira, e uma banda de mamão, meio murcha, meio passada, mas com certeza gelada por inteiro, ficava com gosto de geladeira, fazer o que, não adiantava convencer sua mãe a não guardá-la na geladeira, foram discussões inúteis, como todas as outras, no máximo lhe renderam uma gastrite, mas nessa eu chego mais para frente.

Cinco minutos, não mais, embora sonhasse em um dia ainda trabalhar meio período e tomar um café da manha decente, desses estilo novela das oito ou comercial de margarina, ah os comerciais de margarina, nas conversas com as amigas viraram sinônimo de vida perfeita, família perfeita, marido, filhos, cachorro e papagaio sempre sorridentes e felizes, e lá ia ela pela porta da sala, o elevador a espera, sempre depois que sua mãe já o tinha chamado (e mtas vezes xingado) minutos antes.

Na garagem estava o carro, a principio um péssimo negócio, vinha de uma troca com a amiga, esta tinha um carro um ano mais velho, mas um carro importado, nossa personagem tinha um carro um ano mais novo, mas um carro nacional, não precisamos nem dizer o resto, o ultimo estava em melhores estados e no fim das contas a diferença paga pela outra não cobriu os custos com o motor, a direção hidráulica, a pintura, fora as inúmeras multas que ela conseguiu após a aquisição desse verdadeiro presente de grego (ou seria de amiga?) que acarretaram na suspensão da sua carteira – uma das resoluções para esse novo ano.

08:30 estava exatos cinco minutos atrasada, o bom de se estar atrasada é que a carona que ela dava estaria no horário certo, logo, ela não precisaria ficar esperando, hj seria a vez da amiga. Mais dez minutos e estaria no estacionamento do trabalho, na verdade eram cinco, mas agora com a carona, tinha que dar uma paradinha no percusso, o que lhe tomava exatamente o dobro do tempo de ida, e lá estaria ela brigando por uma vaga.

A vaga para o carro era uma novela e daqueles dramalhões mexicanos, ela já perdera as contas de quantos arranhões, amassados, perdidos ela já teve com o carro – importado, não esqueçam. Como tinha motorista ruim, pensava! Não conseguem fazer uma curva sem “catar” o bico do pára-choque, da frente, da porta... O fato dela estacionar no meio fio, ou na curva não era desculpa para as barberices dos outros, afinal ela tinha tanto cuidado com os carros alheios, na verdade só não tinha cuidado com o seu, como tudo em sua vida, algo que precisava rever.

To Be Continue ...